quinta-feira, 3 de março de 2011

OLFATO I


OLFATO I - Percepção do Odor e Luca Turin

Reis e rainhas costumavam saborear suas refeições após um provador experimentar pequenas porções de cada alimento para prevenir um possível envenenamento.
Estou longe da realeza, mas tenho um gato manhoso que é ótimo experimentador e exigente gourmet.
Recusa sistematicamente as carnes congeladas provenientes de um mercado próximo, mas se delicia com as que procedem do açougue, mais frescas. E, reconhece a diferença de longe... pelo cheiro.
Percebe com seu olfato aguçado coisas que o meu ignora, apesar da minha espécie ter um sistema razoavelmente sofisticado na detecção de odores e sabores.
Quanto ao sabor... é praticamente um expressão decorrente do olfato.


Estas células do epitélio olfativo, quando estimuladas pelas moléculas odoríferas emitem um sinal elétrico que percorre velozmente as células nervosas ou neurônios com as quais estão conectadas, enviando esta descarga elétrica em direção do bulbo olfativo.
Poderosas, células ou fibras receptoras de sinais são capazes de se regenerar, renovadas periodicamente, o que as torna diferentes da maioria dos neurônios amadurecidos.
Ao seu lado estão as fibras do nervo triangular que registram os impulsos dolorosos e identificam moléculas corrosivas, que causam injúria ou lesão celular.
Este panorama olfativo fica mais interessante a medida qe descobrimos como nosso Sistema Nervoso registra e interpreta os odores.

 
Em 2004 o prêmio Nobel de fisiologia médica foi para uma dupla de pesquisadores - Axel e Buck pela descoberta do sistema gênico relacionado a olfação.
Seus estudos concluíram que 3% do material genético da nossa espécie, em torno de 1000 genes, estabelece um código que regula a ação dos receptores olfativos.
Afirmam que cada uma das pequeníssimas células tem um padrão anatômico receptivo e que este responde intensamente à determinadas formas  da  moléculas.
Neste caso, cada célula seria especialista em grupos diferentes de odores.
Descobriram ainda que o impulso elétrico originado vai à locais do bulbo olfativo, batizados de glomérulos.
Cada um dos cerca de 2000 glomérulos recebe tipos diferentes de códigos correspondendo às moléculas olfativas e os encaminha para áreas do cérebro, onde serão interpretados pelos padrões olfativos produzidos durante toda a nossa vida.
O sistema se torna cada vez mais complexo e sofisticado!

 
Contudo, esta não é a única explicação plausível.
Luca Turin, biofísico, apresentou recentemente ( 1996) outra teoria que chamou de Vibração Quântica.
Nesta os receptores olfativos responderiam não à forma das  moléculas, mas às vibrações dos átomos nas suas estruturas.
Estes receptores não estariam divididos em inúmeros tipos diferentes, mas aproximadamente 10 categorias seriam reguladas por diversas frequências, capazes de reconhecer um número praticamente infinito de odores, em combinações variadas.
Teríamos pequenas engenhocas  para leitura vibracional, não de metal, mas de natureza celular.
Esta teoria, em estudo e progressivo avanço pode se tornar uma idéia revolucionária, se avaliarmos suas aplicações na síntese ou descoberta de novos compostos , com odores semelhantes aos impraticáveis porém desejáveis no atual mercado de fragrâncias e flavorizantes.


Fotos: Olfactory de Amanda Yarnell; Sensory Physiology - Olfactory de Nobel Prize; Linda Buck e Richard Axel; Capas de Livros - Luca Turin.

 

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